É verão por aí
Aqui o frio já chegou, e do outro lado do mundo o verão arde. Há quem cruze o globo pela brisa, a das longas noites claras nos fiordes.
Coolcation, a tendência mais quente de 2026
Casaco leve no jantar, em pleno verão, e o alívio de não estar suando. Quinze graus. Chamam isso de coolcation, férias no fresco: a procura por destino frio subiu setenta e quatro por cento no ano, e um em cada cinco que trocou o sol pelo fresco fez isso pela primeira vez. O calor que todo mundo perseguia virou aquilo de que se foge.
O nome que todo mundo repete é Islândia, o destino mais procurado da tendência. O que ninguém soma na conta é que o norte frio é pequeno. Vilarejos de poucos milhares de pessoas e uma estrada só, recebendo um continente que fugiu do próprio suor. O vazio que você foi buscar é a primeira coisa que a multidão leva.
Mando para a Noruega, porque a paisagem ainda paga o ingresso. Parede de rocha verde despencando na água preta. Onze da noite e o sol ainda dourado, sem se pôr. Em Lofoten, a cabana vermelha de pescador onde hoje se dorme bem. Uma luz que desarruma o que você acha que sabe sobre a hora do dia. Mas o relógio corre: a Noruega passa a taxar o visitante a partir de 2026.
Do outro lado da régua, o que ninguém decorou ainda: Vilnius e Tallinn. Capitais bálticas na frente da tendência na Europa, design e história medieval, frescas, fora do mapa do luxo por mais alguns verões. Chegar agora é o luxo de chegar antes.
Esse é o intervalo curto entre o lugar existir e o lugar virar fila.
Grécia, Itália e Espanha lideram a procura global deste verão, à frente de todo o resto. Sol que não negocia, o mar na temperatura certa, a luz longa das noites do sul. Se é isso que você quer, não precisa pedir desculpa. Só tem o jeito certo de fazer, que é o próximo assunto.
A ilha lotada quase sempre tem uma vizinha vazia. Em vez de Santorini e a fila do pôr do sol em Oia, Folegandros, a poucas horas de barco, o mesmo Egeu e nenhum ônibus de turista. Em vez de Mykonos, Paros, a cena sem a histeria. Em vez da Costa Amalfitana parada no trânsito, o Cilento logo abaixo, ainda italiano de verdade. O verão tem sempre uma porta lateral, e é ela que eu procuro pra você.
É o auge do auge, o sul da França no calor, e escolhi de propósito. Comecei em Saint-Tropez, subi a costa de conversível e passei por Menton, a dos limões dourados na fronteira com a Itália, que dá nome à boutique. Jantei nas muralhas de Èze ao pôr do sol e terminei na Provence, entre a lavanda e uma mesa de três estrelas. A foto é de lá, julho, dessas paradas que sozinhas pagam a viagem. O que eu trago de uma temporada assim é o critério, mais que o roteiro: qual vila vale a parada e qual é só estacionamento, onde a lavanda ainda está roxa nessa época, a que horas o mercado de Aix compensa. É pra isso que serve falar comigo antes de fechar a viagem.
Em Roma, a Rosewood abre na Via Veneto, a quarta da marca na Itália, que confirma o país como o destino do ano no luxo. Na Grécia, duas estreias dividem a escolha: o Four Seasons chega a Mykonos enquanto a Rosewood inaugura em Creta, em Elounda, e de repente a ilha tranquila ganha o hotel que faltava pra encarar a barulhenta. Anote as três. Quem reserva cedo dorme melhor.
Em Punta Negra, a própria rede o posiciona como a resposta ao Ibiza e à Mykonos saturados: a hospitalidade asiática do grupo aplicada ao Mediterrâneo, numa ilha que ainda guarda cantos de silêncio. É a aposta porque junta as duas coisas que esta edição persegue, o sul que todo mundo quer e o sossego que quase ninguém acha mais lá. Marca nova, antes de virar lista de espera.
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Uma leitura por mês, direto da Fabi. Um destino, um hotel, uma decisão de timing.